amar dói?

Algo sentido e escrito por tantos. Uns amam amar, outros se escondem das entregas que esse sentimento exige. E tudo que vejo, sinto e leio só deixa uma ânsia em saber qual o preço que se tenha que pagar por amar.

Na teoria isso não deveria ser quantificado em sacrifícios, mas sim nas escolhas que temos que fazer de bom grado ao abrirmos mão de tanta coisa, largar muito para trás e seguir em frente com novas perspectivas que preenchem aquele vazio deixado pelo custo disso. Deveria ser mensurado pelas escolhas que nos dispomos a tomar em prol de algo maior.

A questão é que sentir muito nos torna vulnerável. Nosso mais profundo é entregue a outrem e estamos quase que ligados visceralmente, dependentes de como nosso coração será tratado.

O engraçado, e talvez o mais mágico de tudo, é que não temos respostas imediatas desses porquês. E talvez demorem anos para que, um dia, consigamos olhar para trás e julgar a valia das nossas decisões. Entenderemos nossos medos e com nossas decisões imperfeitas, tiraremos proveito de algo. Vamos simplesmente aceitar o fato de que talvez tivemos que errar para acertar. Um dia vamos aceitar aquele amor dolorido que nos fez sentir tanto, durante tanto tempo e nos obrigou a acreditar que tudo valeria a pena… quando não valeu.

Talvez no momento não há respostas para muita coisa. E, quem sabe, nossa única opção seja entregar-nos de coração e apostar com todas as forças numa viagem que, por um acaso, pode nos levar a vislumbrar os horizontes mais belos que conseguimos idealizar em nossa mente.

E ainda me pergunto se o amor dói. E bem, essa é uma questão que prefiro guardar e deixar o tempo dissertar. Se há vida após tanto sentir, não sei; mas um dia, acredito eu, conseguirei fechar meus olhos e me sentir leve, pois sei que por muito tempo me permiti sentir. E muito.

está tudo bem

Durante a vida inteira tentamos nos encaixar em rótulos e fazemos de tudo para ser o mais ‘normal’ possível. Sem grandes diferenças e buscar ser sempre o melhor. O que significaria ter boas notas, ter sempre as roupas mais bonitas, o melhor carro, morar no melhor bairro e ter um bom celular.
Somos condicionados a buscar aceitação das pessoas que estão ao nosso redor, não necessariamente pelo que realmente somos, mas sim, pelo que transparecemos à elas.

Mas a realidade é que não, não somos todos iguais, não temos as mesmas condições financeiras e nem todos são tão felizes assim. As pessoas possuem problemas, diferenças e frustrações. E cada uma possui uma forma singular de lidar com suas lutas.

Não devemos nos frustrar com nossas lágrimas, com nossa aparência ou se somos aceitos ou não. Chorar não significa derrota. Apenas estamos tristes e estamos buscando forças a todo custo, nem que para isso precisemos ir até o fundo do poço e buscar forças para chegar ao topo. Não importa quanto tempo isso leve, talvez uma vida inteira, mas não… não devemos perder de vista quem realmente somos. Não devemos nos condicionar a se encaixar em padrões impostos por todos há tanto tempo. Ser diferente não significa ser inferior.

Tudo bem quando não estamos bem. Tudo bem se cairmos e demorarmos a levantar. Tudo bem não conseguir ignorar o que todos falam ao seu respeito. Tudo bem se as lágrimas caírem sem parar. Tudo bem se você não conseguir continuar.

Todo mundo se machuca, calma. Está tudo bem. Não há nada de errado com quem você é. Só seja verdadeiro consigo mesmo. Com o tempo as coisas se ajeitam.

medo

Queria muito poder moldar algumas situações e deixar tudo da maneira em que eu gostaria que fosse. Da forma em que eu conseguisse não pirar. Mas a realidade é que preciso abrir mão desse controle e isso me mata por dentro. Tenho medo. Medo de entregar toda a minha vulnerabilidade e ver tudo indo por água abaixo, medo de apostar todas as minhas fichas num simples devaneio e medo da calmaria que tudo isso me traz.
Odeio ter que, simplesmente, me submeter e acreditar que outros farão por mim o que eu faria por eles. Receio em, apenas, confiar e deixar pra lá, sabe… deixar que tudo aconteça da forma que precisa acontecer.

Tanta coisa passa pela cabeça e por mais que eu queira ignorar, mais atormentado fico. Quem sabe um dia eu consiga conviver com tudo isso de forma mais natural. Só que por enquanto as coisas ainda parecem bem confusas para mim. Me assusta.

e se eu quisesse te amar?

Prometi não me apegar, não me entregar tanto a você, mas antes mesmo que eu percebesse, já estava aqui, contando os minutos para te ver, ansioso para que a notificação do celular fosse sua ou aquela marcação na rede social vir acompanhada por sua foto de perfil.

Vez ou outra me encontro perdido em seu olhar, meio de cima assim, acompanhado de um sorriso que me encanta e um cheiro que é só seu.
Vez ou outra você me abraça e é como se não precisasse de mais nada, ninguém, só você ali, comigo, independentes de tudo.
Vez ou outra seu beijo me faz entender que não há explicação. Não há explicação para o que você significa para mim, nem pro bem que você me faz…

Já me perguntei várias e várias vezes até onde poderia ir com esse sentimento. Até onde poderia ceder e te entregar minha vulnerabilidade… mas não consigo. Perdi o controle já. Estou louco por você. Por cada detalhe, cada palavra que você me diz, cada olhar ou risada. Tentei segurar as rédeas e manter tudo sob controle… in(?)felizmente falhei.

Mas e se eu te amar da forma mais simples possível? Te amar por amar… como se o amanhã nunca fosse existir?

o mundo dá voltas

Pode acreditar, ele dá. A vida vai passando, as coisas vão acontecendo, pessoas aparecem e se vão… e dentro de toda essa confusão louca, estamos nós, aqui, muitas vezes apenas tentando entender os grandes porquês que não nos foram esclarecidos. Essa volta é longa, mas uma hora ou outra, quando tudo parecer tão monótono, voltamos ao ponto inicial. Lugar este em que conseguimos enxergar e entender onde erramos, por qual motivo erramos e como tudo isso aconteceu. A vontade de voltar e refazer é grande né? Tudo parece tão estúpido que nossa vida calejada de hoje se torna algo tão intangível para aquele aprendiz de algum tempo.

“Faria diferente?”

Com certeza já me perguntei isso. Mas realmente, se voltasse a viver tudo que vivi, eu realmente teria feito de outra forma? Teria entendido por qual caminho não ir e em quem confiar?

Algumas coisas prefiro deixar aqui, quietas. Não me orgulho, mas não desdenho. Toda bagagem vem vindo conosco e nos tornamos quem somos, por conta das facetadas que sofremos. Mesmo que de forma involuntária.

Essas voltas da vida servem para aprendermos com o que ficou pra trás, com tudo aquilo que nos assombra e nos persegue, até que seja superado. Aceitar que as coisas não foram feitas da melhor forma não é um crime. Deixar para lá tudo aquilo que um dia nos trouxe alegria é dolorido. Mas é assim mesmo… Todo dia é dia de abandonar algo e dar lugar à novas coisas na prateleira. Por mim deixaria tudo ali juntando poeira.
Mas com o tempo a gente entende que o novo nem sempre combina com o velho. É preciso superar o que passou e arrancar essas lembranças empoeiradas.

a arte de deixar ir

Chega uma época da sua vida que desapegar se torna uma tarefa necessária e indolor. O tempo se encarrega de trazer consigo a maturidade necessária para nos fazer entender a diferença entre o que fazemos para ficar bem e o que fazemos para deixar os outros bem. Engraçado como o tempo muda, as pessoas se vão e nós nos tornamos cada vez mais fortes. De repente a necessidade de ser feliz fala tão alto que nada mais importa. Nada mais faz diferença e quem não acrescenta, simplesmente, precisa sair.

casinha

Dia de chuva, grama brilhando, cheiro de terra molhada, brisa fria, céu nublado… Hoje o dia amanheceu frio, as portas e janelas permaneceram fechadas. Dá pra ouvir o vento passando pelo telhado, as árvores acompanham o ritmo do vento. Um típico dia chuvoso e despretensioso.

Estou indo em direção àquela casinha antiga, feita de madeira, com telhado escuro e janelas pequenas. Fica logo atrás das colinas, lugar onde eu costumava ir para ver o sol se por, ouvir música, ler um livro, cantarolar minhas músicas preferidas… Sinto como se a caminhada fosse um pouco mais longa do que costumava ser, tudo parece ter mudado e milhares de lembranças vêm a minha mente… Como será que ela está? Qual será a sensação de estar entrando nela depois desse tempo todo? Será que a chave ainda abre aquela fechadura? Aquele tapete ainda fica na porta de entrada?

A caminhada está quase acabando e o frio começa a querer me impedir de continuar, quase que de forma proposital. Me embrulho um pouco mais no casaco, coloco as mãos nos bolsos e continuo andando. Já estava quase anoitecendo e, de longe, consigo avistar aquela casinha. Meu pequeno refúgio de alguns poucos metros quadrados onde eu costumava me esconder do mundo e achar que nada poderia me alcançar desde que eu estivesse ali dentro. Tanto tempo, tantas chuvas e ela ainda continua ali, de pé.

Por um momento fecho os olhos e consigo imaginá-la toda arrumada, os vidros embaçados com gotas d’água escorrendo pela janela, cobertor macio, chocolate quente, meias nos pés e minha música preferida tocando no quarto.

Hoje parece estar tão vazia, bagunçada e atacada pelo tempo. Aquela reforma planejada – que já foi escrita por aqui –  ficou pela metade, tive que me mudar depressa. Deixei tudo como estava, fechei a porta e segui em frente, sabendo que não deveria voltar ali nunca mais. E eu não sei… na verdade, nós não sabemos. As coisas foram simplesmente acontecendo e de repente a vida foi tomando novos rumos. Lembro-me quantas vezes olhei pelo olho mágico desse antigo lugar, na ânsia de que o hiato tivesse findado e eu pudesse ficar ali pra sempre. Afinal, aqueles consertos eram para receber quem nunca voltaria.

Sabe, acho que mudar faz bem. Muitas vezes nos condicionamos a estar no mesmo lugar de sempre, aquele que nos remete ao passado e quando menos esperamos estamos vivendo dentro dele. Aprisionados por sombras e representações de tudo que foi bom um dia. Vale a pena juntar as coisas, arrumar as malas, ir para o outro lado das colinas e perceber que há um outro abrigo aconchegante junto à lareira, com cobertas quentinhas, móveis novos, uma vista diferente da janela e um novo endereço. Essa casa não tem olho mágico e finalmente tudo que preciso está dentro dela. Sinto paz, mesmo sabendo que chove lá fora.

Promete que vai ficar?

O fogo estará aqui para acalmar nosso coração, iluminar a noite, nos aquecer e trazer paz. Amo estar nesse lugar, mas desse lado tudo é assombrado sem você.

i.s.i.l.

Já prometi tantas vezes a mim mesmo não me machucar novamente, em blindar esse coração, e de repente você me aparece, muda tudo e eu fico sem entender nada que está acontecendo. Uma bagunça tão boa e tão assustadora.

Preciso entender que você não é aquela pessoa que passou por aqui e deixou tudo bagunçado, virado de ponta cabeça e saiu sem dizer nada. Quero aprender a deixar para trás tudo isso que me faz mal, entender que você não é alguém do passado.

E dia após dia eu aprendo sobre você. É como sonhar com as estrelas. Você me tira do chão. Isso me dá medo. É tão bom.