prelúdio

Há algum tempo venho tentando tirar isso daqui de dentro, encontrar um porto onde pousar e uma solução para que tudo, finalmente, se ajeite.
Minha forma de lidar com os problemas são bem específicas e eu tenho reações bem previsíveis.
E tenho muito o que agradecer. A vida, aos meus amigos, a ele… e, principalmente, a mim mesmo.

Há muito o que transcrever e externar por aqui, há pedaços escondidos por todos os lados, nos anos que me dediquei a deixar um pouco da minha alma nos textos que deixo por aqui. É tudo verdade, é de coração… e continuará sendo de forma mais intimista ainda.

E seja como for, tudo continuará cíclico assim como sempre foi. A vida continuará passando depressa. E cabe a nós decidirmos se o medo de ser quem somos afetará nossa passagem por aqui. Existem amores passageiros, vidas infelizes, medos nunca vencidos, frustrações carregadas para sempre, mentiras levadas por toda a vida… e a infelicidade de, um dia, ver tudo indo embora e as muralhas que construímos nos impedindo de viver a vida que sempre queríamos.

Há sim a possibilidade de deixar tudo isso partir e desapegar desses gigantes que nos impedem de transcender. Existem coisas que são atemporais. Que vão além da desolação, do agora, do medo e da vida. E eu acredito que tudo isso seria tão infeliz se eu não me permitisse viver e ser quem sou. Independendo das adversões.

O sofrimento nos muda, nos lapida, nos corrompe, nos dá força… o amor nos aprimora e nos dá coragem para arrancar nosso Eu do peito e finalmente desprender, soltar, desatar… e voar.

amar

Amar exige dispormos à mergulhar na mais profunda desolação e voarmos ao mais alto deleite. Requer coragem, propósito e desígnio. Consiste em entregar-se cegamente, sem bloqueios. É esquecer as incertezas e entregar-se à grandeza do risco dessa dualidade tão contraditória. Essa condição de cegar-se aos poréns, enfrentar a ansiedade e o horror, na esperança que o encanto mais sublime, excelso e inigualável esteja disposto ao desfrute de nosso peito.

Amar exige risco, fibra, coragem… e coração.

Amar é uma via de mão única, que consegue manter-se intacta no mais profundo exílio e nos obriga a abrir mão, porque amar também exige quebras.

percebi que te amava

Percebi que te amava quando todos os meus planos só faziam sentido quando você estava presente. E não importa o quão distantes estariam, tudo incluía você.

Percebi que te amava quando minhas noites se tornaram mais longas e meus pensamentos se direcionavam a você.

Percebi que te amava quando você me acompanhava em pensamentos durante o dia e me fazia abrigo durante a noite.

Percebi que te amava quando as melhores notícias era você que sabia.

Percebi que te amava quando minhas prioridades foram reavaliadas e tudo perderia lugar se não incluísse você.

Percebi que te amava quando vi que conseguiria fazer morada em qualquer lugar, mas escolhi morar em você. Fazer do seu coração minha estadia permanente.

Percebi que te amava quando decidi que o tempo não seria uma barreira e toda a nossa história transcenderia as conveniências, o dinheiro, os dias maus, a saúde… o tempo.

pelo que é de verdade

Nunca vão saber por quantas vezes você quis desistir, mas mesmo assim algo te fez continuar. Mesmo sem entender por quanto tempo tudo isso persistiria, quanto ainda doeria ou quantas lágrimas isso custaria.
Ninguém será capaz de ouvir seus gritos de dor, ninguém vai conseguir te proteger da chuva.

Às vezes tudo que temos a oferecer é um sorriso falso, um aperto de mão ou um abraço frio, camuflando nossas maiores feridas. E mesmo sem conseguir gritar por socorro, nosso olhar reflete a dor de vermos nossa alma despedaçar dia após dia. E não há nada que possamos fazer, a não ser continuar.

Todos aqueles prazeres já não existem mais, os amores já se foram, a paixão acabou e a solidão é nosso único apego. E seguimos colocando nossa máscara, encobrindo nosso caos. Não adianta. Não adianta se esconder para sempre por trás desse gigante que  criamos por conveniência. Não adianta viver nesse castelo imaculado do império falso que construímos. Tudo é vão, pois no fim do dia, quando encostarmos nossa cabeça no travesseiro, quem vai ter que enfrentar a realidade e viver nossa vida somos nós mesmos, não os outros.

E do que vale tanto poderio e fortalezas, quando o que se guarda é tão frágil? Faça do seu coração sua fortaleza. Sem cascas, sem máscaras, sem poréns…

Algumas vezes fugir pode ser a solução. Fugir de dentro de tudo isso que nos prende e nos isola da nossa realidade.

Vai doer? Sim. Haverão decepções? Com certeza. Você vai conseguir superar? Talvez.
Mas nunca deixe de viver sua verdade da forma mais sublime, em toda a sua plenitude e beleza. Pois mesmo que um dia as lágrimas caiam sem parar, não serão por mentiras construídas por medo da refutação.

Talvez um dia seja tarde demais para voltar, viver, chorar e lutar pelos motivos certos.

amar dói?

Algo sentido e escrito por tantos. Uns amam amar, outros se escondem das entregas que esse sentimento exige. E tudo que vejo, sinto e leio só deixa uma ânsia em saber qual o preço que se tenha que pagar por amar.

Na teoria isso não deveria ser quantificado em sacrifícios, mas sim nas escolhas que temos que fazer de bom grado ao abrirmos mão de tanta coisa, largar muito para trás e seguir em frente com novas perspectivas que preenchem aquele vazio deixado pelo custo disso. Deveria ser mensurado pelas escolhas que nos dispomos a tomar em prol de algo maior.

A questão é que sentir muito nos torna vulnerável. Nosso mais profundo é entregue a outrem e estamos quase que ligados visceralmente, dependentes de como nosso coração será tratado.

O engraçado, e talvez o mais mágico de tudo, é que não temos respostas imediatas desses porquês. E talvez demorem anos para que, um dia, consigamos olhar para trás e julgar a valia das nossas decisões. Entenderemos nossos medos e com nossas decisões imperfeitas, tiraremos proveito de algo. Vamos simplesmente aceitar o fato de que talvez tivemos que errar para acertar. Um dia vamos aceitar aquele amor dolorido que nos fez sentir tanto, durante tanto tempo e nos obrigou a acreditar que tudo valeria a pena… quando não valeu.

Talvez no momento não há respostas para muita coisa. E, quem sabe, nossa única opção seja entregar-nos de coração e apostar com todas as forças numa viagem que, por um acaso, pode nos levar a vislumbrar os horizontes mais belos que conseguimos idealizar em nossa mente.

E ainda me pergunto se o amor dói. E bem, essa é uma questão que prefiro guardar e deixar o tempo dissertar. Se há vida após tanto sentir, não sei; mas um dia, acredito eu, conseguirei fechar meus olhos e me sentir leve, pois sei que por muito tempo me permiti sentir. E muito.

está tudo bem

Durante a vida inteira tentamos nos encaixar em rótulos e fazemos de tudo para ser o mais ‘normal’ possível. Sem grandes diferenças e buscar ser sempre o melhor. O que significaria ter boas notas, ter sempre as roupas mais bonitas, o melhor carro, morar no melhor bairro e ter um bom celular.
Somos condicionados a buscar aceitação das pessoas que estão ao nosso redor, não necessariamente pelo que realmente somos, mas sim, pelo que transparecemos à elas.

Mas a realidade é que não, não somos todos iguais, não temos as mesmas condições financeiras e nem todos são tão felizes assim. As pessoas possuem problemas, diferenças e frustrações. E cada uma possui uma forma singular de lidar com suas lutas.

Não devemos nos frustrar com nossas lágrimas, com nossa aparência ou se somos aceitos ou não. Chorar não significa derrota. Apenas estamos tristes e estamos buscando forças a todo custo, nem que para isso precisemos ir até o fundo do poço e buscar forças para chegar ao topo. Não importa quanto tempo isso leve, talvez uma vida inteira, mas não… não devemos perder de vista quem realmente somos. Não devemos nos condicionar a se encaixar em padrões impostos por todos há tanto tempo. Ser diferente não significa ser inferior.

Tudo bem quando não estamos bem. Tudo bem se cairmos e demorarmos a levantar. Tudo bem não conseguir ignorar o que todos falam ao seu respeito. Tudo bem se as lágrimas caírem sem parar. Tudo bem se você não conseguir continuar.

Todo mundo se machuca, calma. Está tudo bem. Não há nada de errado com quem você é. Só seja verdadeiro consigo mesmo. Com o tempo as coisas se ajeitam.

o mundo dá voltas

Pode acreditar, ele dá. A vida vai passando, as coisas vão acontecendo, pessoas aparecem e se vão… e dentro de toda essa confusão louca, estamos nós, aqui, muitas vezes apenas tentando entender os grandes porquês que não nos foram esclarecidos. Essa volta é longa, mas uma hora ou outra, quando tudo parecer tão monótono, voltamos ao ponto inicial. Lugar este em que conseguimos enxergar e entender onde erramos, por qual motivo erramos e como tudo isso aconteceu. A vontade de voltar e refazer é grande né? Tudo parece tão estúpido que nossa vida calejada de hoje se torna algo tão intangível para aquele aprendiz de algum tempo.

“Faria diferente?”

Com certeza já me perguntei isso. Mas realmente, se voltasse a viver tudo que vivi, eu realmente teria feito de outra forma? Teria entendido por qual caminho não ir e em quem confiar?

Algumas coisas prefiro deixar aqui, quietas. Não me orgulho, mas não desdenho. Toda bagagem vem vindo conosco e nos tornamos quem somos, por conta das facetadas que sofremos. Mesmo que de forma involuntária.

Essas voltas da vida servem para aprendermos com o que ficou pra trás, com tudo aquilo que nos assombra e nos persegue, até que seja superado. Aceitar que as coisas não foram feitas da melhor forma não é um crime. Deixar para lá tudo aquilo que um dia nos trouxe alegria é dolorido. Mas é assim mesmo… Todo dia é dia de abandonar algo e dar lugar à novas coisas na prateleira. Por mim deixaria tudo ali juntando poeira.
Mas com o tempo a gente entende que o novo nem sempre combina com o velho. É preciso superar o que passou e arrancar essas lembranças empoeiradas.

a arte de deixar ir

Chega uma época da sua vida que desapegar se torna uma tarefa necessária e indolor. O tempo se encarrega de trazer consigo a maturidade necessária para nos fazer entender a diferença entre o que fazemos para ficar bem e o que fazemos para deixar os outros bem. Engraçado como o tempo muda, as pessoas se vão e nós nos tornamos cada vez mais fortes. De repente a necessidade de ser feliz fala tão alto que nada mais importa. Nada mais faz diferença e quem não acrescenta, simplesmente, precisa sair.