transbordar

Hoje amanheci com você ao meu lado, acordei um pouco mais cedo e fiquei te observando, vendo você dormir e ouvindo sua respiração. E eu só queria eternizar esse momento e ter você para sempre ao meu lado abrindo os olhos e enxergando minha alma ali, exposta, completamente despida.

Não quero que faça morada apenas por me querer por perto, com receio da distância. Não quero que o medo das incertezas te faça escolher demorar por aqui. Ou porque nossos pensamentos se alinharam, nossas preferências se assentaram e eu já conheço seu itinerário e todos os viés colhidos ao longo dele.

Não quero permanência por tempo. Os minutos não costumam dizer muita coisa, eles acabam depressa. A verdade sempre ressurge e prevalece mais do que qualquer outra coisa. De nada adianta deixar o tempo cuidar das coisas. Ele costuma levar tudo que vê.

O tempo pode fazer com que tudo se transforme e mesmo em meio a tanta incerteza guardada no futuro, te garanto que meu coração arde de vontade de te acompanhar em cada momento da sua vida, meu peito queima só de lembrar da sua voz. E tudo que mais quero e vê-lo aqui comigo. Preciso mergulhar em teu peito, ouvir os ecos do seu coração chamando por mim, gritando toda sua vontade de estar aqui no meu caminho.

Eu quero você por aqui.

Nunca tive dúvida da minha ânsia em viver cada minuto que o horizonte nos reserva. Você tem a mim… por completo. Enquanto seu coração chamar meu nome, estarei aqui para preencher cada cantinho escondido do seu peito, até que não sobre nenhuma morada desocupada, nenhum canto vazio sem que eu esteja lá…

te ajudando a transbordar.

o processo de cura passa pela dor

Experimentar as infelicidades no caminho não é o que idealizamos. Há sempre grandes clichês por aí, dizendo que nossas aflições fazem parte do processo evolutivo. Mas o ponto é que quando dói, queremos evitar.

Ninguém mergulha numa narrativa esperando laceração. Ninguém se joga num novo capítulo sabendo o quão dolorido será o percurso. Nós sempre esperamos as lutas, porém nem sempre estamos preparados para enfrentá-las.

Inúmeras vezes ao entrar em contato com a dor, queremos, de forma desenfreada, um alívio para tudo isso. Buscamos nos anestesiar e não ter que lidar com toda a bagagem trazida por ela. Nossa reação nem sempre condiz com atitudes comuns em nosso estado normal, e decisões extremas são tomadas sistematicamente, apenas por busca de alívio e respiro.

Na maioria das vezes, sofremos pelo que amamos. O amor, constantemente, possui ligação direta com alguns desprazeres. Se insiste em doer, se a ferida foi profunda… muito provavelmente ali havia afeição.

No amor e na guerra, tudo é válido. Entretanto nem todas as batalhas se encerram com a glória de um dos lados, mas sim com ecos dos estilhaços dos corações. E tudo isso faz com que nos perguntemos se o preço pago, de fato, valeu a pena. O poder de nos gerar as mais profundas dores está nas mãos daqueles que mais amamos. E de fato, não há nada mais frágil que o coração humano.

Chega a ser grotesco equiparar dois sentimentos tão opostos. Mas infelizmente é assim. Quem amamos também nos fere.
Todos nós cometemos erros e pessoas boas também fazem más escolhas. Isso não quer dizer que a punição precisa ser eterna ou que, de fato, elas sejam más.

Significa que são humanas.