25/06

O seu problema nunca foi o de não estar conseguindo lidar com as diferentes dificuldades encontradas no caminho. Conciliar tudo o que estava acontecendo era apenas um detalhe perto do gigante criado entre nós. Aquele que você cultivou com tanto apego enquanto eu me desdobrava pra te alcançar, enquanto eu chorava ou tinha crises de ansiedade todas as noites, me sentindo insuficiente e incapaz de resgatar o que supostamente vivemos um dia.

Hoje eu olho para trás e vejo aqui nesse blog a quantidade de textos escritos regados de lágrimas, mostrando o quanto tudo isso me machucava, o quanto era difícil fazer o que era o melhor para mim. Eu simplesmente não tinha forças.

Eu me doei, abri mão de mim, do meu orgulho, da minha rotina, da minha zona de conforto, da minha possível falta de empatia, das minhas vulnerabilidades… abri mão da minha própria identidade, banquei o mártir e diversas vezes engoli seco meus anseios apenas para estar bem contigo.

Você já decidiu seguir noutro caminho e todo aquele discurso elaborado e construído sobre a falta de certeza que a situação atual oferecia, era apenas um discurso raso e controlador. Discurso esse que foi usado nos momentos certos e por diversas vezes que quis reagir ou me desvencilhar de tudo isso.

Hoje em dia enxergando toda essa história de uma forma mais sóbria, é claro que você fez o que já estava preparado para fazer. O que você vinha cultivando há mais de 1 ano.

E para ser bem sincero, a realidade é que você apenas continuou sem fazer absolutamente nada por nós.

Você amava estar no controle da situação. Você amava me ver ali, submisso e disposto a tudo por você. Me desdobrando para compensar a falta de articulação que você tinha, a falta de diálogo e a insegurança absurda travestida em uma capa implacável falsamente criada por você.

E eu sempre quis voltar para casa, aquele nosso castelo infernal decorado… onde eu sobrevivia quase que inteiramente das suas migalhas.

Você sempre me tratou de um jeito frio. Sempre ausente em diversos aspectos, mas atento a qualquer suposto deslize que eu poderia cometer, que apresentasse qualquer sinal de ameaça  dentro dos seus “conceitos morais”. Conceitos esses que você sempre usava pra invalidar qualquer necessidade de reafirmação demandada por mim.

E talvez eu só tenha que te agradecer por você ter sido tão covarde e mínimo comigo. Isso me fez aprender a identificar o tipo de amor medíocre que eu não preciso e não mereço ter em minha vida.

Eu, de fato, fui ínfimo para mim… e demais para você.

oi, …

Ok, não era para eu estar te mandando essa mensagem. Mas eu precisava te dizer que desde aquela última troca, não parei de pensar em você por segundo sequer.

Eu só queria que você tivesse a mesma iniciativa que a minha em relação a nós. Mas infelizmente não consigo fazer todos os papéis entre a gente.

Estou indo dormir com a saudade apertando muito forte. Estou usando o moletom que você me deu.

Na verdade não irei te enviar isso. Preciso poupar minha saúde mental, pois acho mais descomplicado lidar com toda essa indiferença ao lidar com rejeição.

 

Até…

vestígios

Prometi sempre estar ao seu lado. E estive. Nos momentos em que tudo parecia desabar, eu estava lá. Quando as coisas se complicaram e você dizia se sentir só, eu era presente.

Minha intenção nunca foi te deixar. Eu estava disposto a enfrentar qualquer circunstância para ter você comigo. Te deixar nunca foi minha opção.

Hoje tudo que eu queria era poder matar essa saudade que me corrói. Tudo que faço, penso, sinto, vejo ou ouço me lembra você. E tento mentalizar que preciso me desapegar dessas lembraças, da sua sombra.

Sei que muito provavelmente você já esteja bem. Talvez não sinta mais a falta que eu sinto. Sei que já seguiu em frente de alguma forma e vejo que a insegurança em continuar era quando envolvia a mim. E tudo bem, todo mundo um dia é colocado de lado, e comigo não foi diferente.

Só esperava um amor mais transparente. Só queria ter tido a oportunidade de saber mais do que apenas um “eu não sei”. Eu não merecia ser tratado daquela forma que você me tratou na última vez que nos falamos. Eu fui, realmente, sincero. Você faz falta.

Não queria estar passando por tudo isso, nesse momento tão delicado e tendo que lidar com a perda de alguém que eu esperei que permanecesse para sempre. Não vou fingir que está tudo bem. Passe o tempo que for, não vou mentir para mim mesmo. Não queria procurar noutros lugares algo que só encontrei em você. E sei que por mais que você tente, eu fui único da mesma forma.

“eu não consigo e não quero acreditar que a gente acabou aqui, sabe? (…) Acho que vai ser menos doloroso pensar que isso é temporário.”

 

Esses últimos dias estão sendo bem complicados. Ainda estou aprendendo a conviver com isso…

Tudo que eu queria era uma faísca… Nenhuma distância seria tão grande, nenhum rio profundo demais que eu não conseguisse atravesar. Sempre tentei ser seu abrigo, seu porto de segurança. Sempre te amei, pois seu amor era minha verdade.

 

 

Mas vai ficar tudo bem. Toda história tem suas cicatrizes.

ainda te amo

Ainda tenho suas cartas guardadas, os presentes que você me deu, o desenho que você fez e seus itens pessoais de colecionador que a mim foram confiados.

Ainda tenho meus pensamentos ligados a você dia após dia. As noites já não são mais as mesmas. Ainda sinto seu cheiro na roupa não lavada que usei quando te encontrei pela última vez.

Ainda lembro das suas manias bestas, da sua forma de arrumar o cabelo, da sua maneira de falar carinhosamente gesticulando com as mãos como quem tenta explicar algo complicado.

O tom da sua voz ainda ecoa por aqui, nos áudios que você me enviou, nas cartas que leio, nas últimas frases que trocamos por whatsapp…

O tempo vai ser cruel daqui pra frente. Talvez os dias continuem demorando a passar e a vida se torne um pouco menos estimulante. O vazio que você deixou, apenas você era capaz de preencher. Apenas seu abraço seria suficiente nesse instante.

Eu falei sério quando disse que queria você aqui para sempre dividindo sua caminhada comigo. Infelizmente a vida decidiu guiar-nos por caminhos diferentes, trajetos inesperados que custaram nosso nós.

Espero que tudo isso te faça bem.

Ainda tenho a sensação que posso pegar o telefone e te ver do outro lado, que vou entrar no carro para ir ao seu encontro e nossa noite será tranquila com aquele lanche daquele shopping que sempre pedíamos… e aquilo era tão sua cara.

A realidade é que ainda te amo. Ainda te enxergo em cada detalhe do dia a dia. Espero conseguir canalizar tudo isso para algum lugar que me machuque menos. Espero não levar a mesma quantidade de tempo que vivi ao seu lado, para te esquecer.

Mas a realidade é que ainda te amo. E muito.

Ainda.

das perguntas que me faço em silêncio

Essa minha mudança dói, machuca e faz eu me sentir impotente diante de cada tentativa fracassada que tenho em me posicionar de uma forma onde eu não saia tão machucado.

Você consegue me ouvir? Consegue enxergar minhas lágrimas caindo? Por que tanto silêncio?

Fico me perguntando quando você chegará para mim, se você viu que eu estava me abatendo… ou se você se afetaria se soubesse que eu não consigo respirar e cada vez mais esse nó na garganta me sufoca.

Não estou aqui para disputar minha verdade ou fazer com que tudo em mim sobressaia, mas para dizer que algo em mim se machuca constantemente com toda a fraqueza desse império construído… e que eu luto para que não seja o problema.

e se eu te falasse que estou desmoronando (…)

leva tempo

É que mesmo depois de tantas coisas terem acontecido, a gente ainda consegue olhar para frente e enxergar algo a mais. Talvez uma rota inexplorada, uma tentativa com mais otimismo… quem sabe faltou doação da nossa parte e vontade de fazer com que tudo desse certo.
Nem sempre as coisas vão funcionar e vamos ter que voltar várias e várias vezes para o ponto onde começamos. E quem sabe assim vamos conseguindo enxergar novas alternativas.

A verdade é que a decepção dói. A frustração nos machuca, fere nosso amor próprio e desvaloriza todo nosso investimento para que tudo aquilo tivesse seguido de uma boa forma.

E quem sabe se algum dia vamos conseguir o que tanto buscamos? Talvez levaremos uma vida inteira almejando algo que, simplesmente, não foi feito para nós. Nosso olhar estava tão obcecado que deixamos várias flores morrerem pelo caminho.
E a realidade é que nem todas as flores foram feitas para nos deleitarmos. Nem todas as portas são para nós passarmos. E só vamos conseguir entender isso errando e aguçando nosso senso de percepção, aprendendo enxergar a beleza através do temporal.

É que nossos planos parecem melhores que aqueles que a vida oferece. E a gente sempre vai encostar a cabeça no travesseiro na esperança de que no dia seguinte tudo se ajeite como num passe de mágica.

Mas leva tempo. Às vezes tempo demais, mas o tempo necessário.

se perder dentro de si

Por vezes é bem difícil lidar com toda a realidade de que o tempo levou embora o que sempre me apeguei. Todos os traços que me traziam paz, importância e vontade de que tudo permanecesse.
Está tudo indo ao contrário do que planejei. Não consigo alterar o roteiro e focar noutros aspectos que me tragam de volta à vida.
Não teve como prever a tempestade. Foi tudo acontecendo, tão depressa… e todos nós cometemos erros às vezes, mas temos que superar. Por mais que não saibamos pra qual rumo seguir.

Hoje vejo um coração cansado e recluso. Por mais tumultuado que estejam as coisas ao redor, não consigo enxergar nada além. Ninguém.