o processo de cura passa pela dor

Experimentar as infelicidades no caminho não é o que idealizamos. Há sempre grandes clichês por aí, dizendo que nossas aflições fazem parte do processo evolutivo. Mas o ponto é que quando dói, queremos evitar.

Ninguém mergulha numa narrativa esperando laceração. Ninguém se joga num novo capítulo sabendo o quão dolorido será o percurso. Nós sempre esperamos as lutas, porém nem sempre estamos preparados para enfrentá-las.

Inúmeras vezes ao entrar em contato com a dor, queremos, de forma desenfreada, um alívio para tudo isso. Buscamos nos anestesiar e não ter que lidar com toda a bagagem trazida por ela. Nossa reação nem sempre condiz com atitudes comuns em nosso estado normal, e decisões extremas são tomadas sistematicamente, apenas por busca de alívio e respiro.

Na maioria das vezes, sofremos pelo que amamos. O amor, constantemente, possui ligação direta com alguns desprazeres. Se insiste em doer, se a ferida foi profunda… muito provavelmente ali havia afeição.

No amor e na guerra, tudo é válido. Entretanto nem todas as batalhas se encerram com a glória de um dos lados, mas sim com ecos dos estilhaços dos corações. E tudo isso faz com que nos perguntemos se o preço pago, de fato, valeu a pena. O poder de nos gerar as mais profundas dores está nas mãos daqueles que mais amamos. E de fato, não há nada mais frágil que o coração humano.

Chega a ser grotesco equiparar dois sentimentos tão opostos. Mas infelizmente é assim. Quem amamos também nos fere.
Todos nós cometemos erros e pessoas boas também fazem más escolhas. Isso não quer dizer que a punição precisa ser eterna ou que, de fato, elas sejam más.

Significa que são humanas.