estrada

E é só eu te ver para entender que todo final merece um início. Às vezes nos perdemos nas dores da caminhada e nos esquecemos que em cada estação há novas histórias dispostas a embarcarem conosco nessa viagem ao tão sonhado eterno.

Vez ou outra nos encontramos na neblina e fica difícil enxergar além, tudo que vemos é um grande borrão confuso e um futuro incerto, que talvez nunca seja capaz de passar daquilo. Uma história de conto incompleto, com reticências. Uma grande obra em potencial… inacabada.

E assim seguimos nessa estrada cheia de incertezas e medos. Horror do que passou, do que fizemos ou deixamos de fazer, dos julgamentos, da entrega, do recomeço, dos machucados, da não-cicatrização, da vida… do amor e do que ele é capaz de causar quando limitado.

É tudo muito abstrato e a vida vira um grande rascunho, onde precisamos encontrar formas de dar sentido as coisas, de ressignificar feridas e aprender a canalizar as lembranças e embarcar nessa grande inércia criada, promovida pela enorme combustão que todos esses traumas são capazes de gerar. E talvez reinterpretando todos esses processos, consigamos atingir novos patamares dentro dessa bagunça de pensamentos. Quem sabe a, tão necessária, insanidade faça parte da realidade e se torne fragmento do nosso destino.

Recomeçar nem sempre é descomplicado, mas por algum motivo esse cruzamento de caminhos me fez enxergar algo o que ainda não tinha observado, algumas nuances que foram esquecidas durante a viagem. Me fez perceber o apego por dores, e abriu meus olhos para uma força interior que nasceu da vontade de provar da possibilidade da oportunidade de ser feliz.

Os processos vão acontecendo, os ciclos vão sendo encerrados, as feridas vão cicatrizando e outras vão se abrindo. Mas não tem problema, já é manhã. É hora de seguir e entender que, talvez, as chagas causadas por histórias mal vividas nem sempre precisam ser tão avassaladoras quanto idealizamos. É preciso aprender a conviver com nossas feridas.

Alguns processos são necessários. Outros são dispensáveis. Sem demagogias e sem pleonasmos.

Tudo segue seu fluxo. E não é porque tudo não saiu como imaginamos, que as coisas não estão acontecendo da melhor forma possível.

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