Helena

Todos me diziam que era bisavó, mas eu preferia chamá-la de vó. Apenas.
Ainda me lembro do gosto do pirulito de caramelo que ela fazia. Ainda lembro dos olhos pequenos atrás de um óculos.
Era um sorriso tão cativante, tão sincero e humilde.
Casa limpa, comida de vó, carinho… Isso não tem preço.
É triste não vê-la mais. Saber que ela se foi é tão intrigante. Não consigo aceitar essa lei da vida, não consigo.
Não tive tempo de aproveitar a presença dela. Eu era uma criança, ainda não conhecia o valor das pessoas. Ainda não tinha noção da frieza da morte.
Hoje vejo que os poucos momentos que tive ao lado da minha vó, foram suficientes para deixar, apenas, boas lembranças.
Helena, era o nome dela. Helena que deixou saudades, vazios, fendas e muita lembrança boa.
Ela se foi da maneira como pediu, sem sofrer. Parecia que estava dormindo… o rosto tão branco e um leve sorriso.
Ela viveu muito, aprendeu muito e ensinou muito.
Queira eu poder ser um exemplo de vida como ela foi.

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