leva tempo

É que mesmo depois de tantas coisas terem acontecido, a gente ainda consegue olhar para frente e enxergar algo a mais. Talvez uma rota inexplorada, uma tentativa com mais otimismo… quem sabe faltou doação da nossa parte e vontade de fazer com que tudo desse certo.
Nem sempre as coisas vão funcionar e vamos ter que voltar várias e várias vezes para o ponto onde começamos. E quem sabe assim vamos conseguindo enxergar novas alternativas.

A verdade é que a decepção dói. A frustração nos machuca, fere nosso amor próprio e desvaloriza todo nosso investimento para que tudo aquilo tivesse seguido de uma boa forma.

E quem sabe se algum dia vamos conseguir o que tanto buscamos? Talvez levaremos uma vida inteira almejando algo que, simplesmente, não foi feito para nós. Nosso olhar estava tão obcecado que deixamos várias flores morrerem pelo caminho.
E a realidade é que nem todas as flores foram feitas para nos deleitarmos. Nem todas as portas são para nós passarmos. E só vamos conseguir entender isso errando e aguçando nosso senso de percepção, aprendendo enxergar a beleza através do temporal.

É que nossos planos parecem melhores que aqueles que a vida oferece. E a gente sempre vai encostar a cabeça no travesseiro na esperança de que no dia seguinte tudo se ajeite como num passe de mágica.

Mas leva tempo. Às vezes tempo demais, mas o tempo necessário.

se perder dentro de si

Por vezes é bem difícil lidar com toda a realidade de que o tempo levou embora o que sempre me apeguei. Todos os traços que me traziam paz, importância e vontade de que tudo permanecesse.
Está tudo indo ao contrário do que planejei. Não consigo alterar o roteiro e focar noutros aspectos que me tragam de volta à vida.
Não teve como prever a tempestade. Foi tudo acontecendo, tão depressa… e todos nós cometemos erros às vezes, mas temos que superar. Por mais que não saibamos pra qual rumo seguir.

Hoje vejo um coração cansado e recluso. Por mais tumultuado que estejam as coisas ao redor, não consigo enxergar nada além. Ninguém.

sentir-se pouco

Por mais que eu tente, parece que nunca serei capaz de te preencher por completo. Me sinto um peso totalmente avulso, incapaz de ser o que você esperava. É complicado ver todos os dias a dificuldade em me oferecer um pequeno espaço.

Sinto como se eu estivesse gritando e você não me ouvisse mais. Te vejo de costas, indo embora e eu não consigo fazer nada a não ser esperar em silêncio. Deixando o tempo agir, levando comigo esse aperto e sensação de incapacidade contínua.
Minhas forças estão se esgotando, minha esperança se acabando, minha motivação está se esvaindo e todo aquele frio na barriga ao ler e ouvir suas verdades, já são lembranças distantes, cultivadas por minha memória, na esperança de reviver seu amor e enxergar em seus olhos que eu sou o bastante, suficientemente completo para caber em seu peito.
Não sei pra qual rumo seguir. Não sei em quê me apegar. Não sei quantos dias ainda as lágrimas insistirão em cair, na esperança de que tudo se conserte.

Eu só queria te ver vindo em minha direção da mesma forma que te via naquele verão que guardo com tanto carinho em minha memória.

Eu só queria me sentir suficiente.

sobre recomeços

A gente vai aprendendo a não se importar com as decepções. E tudo isso é resultado de constantes desencantos e esforços desperdiçados com situações imutáveis. Mas acontece que nem tudo merece toda nossa energia e luta. As vezes se abster é um ato inteligente e extremamente necessário para haver evolução.

Só espero que tudo isso tenha um fim, que aquele primeiro amor volte e que as coisas sejam vislumbradas por outras perspectivas. E não me refiro à características temporais. Vai muito além, algo totalmente intrínseco a atributos qualitativos.

Se acomodar é um descuido. Confiar na estaticidade é um deslize. E as consequências podem ser amargas e dolorosas demais para se encaixar nas expectativas de que o incessante fosse algo fácil e longe de ser apagado. Nessas horas é difícil segurar as lágrimas e não se deixar levar por toda essa tempestade interna e toda a dor que tudo isso traz. Mas como disse, são coisas que fogem do nosso domínio e estamos à mercê de fatores que independem do nosso empenho para se tornarem mutáveis.

É um ciclo que só cabe a nós nos permitir tangenciar e encontrar novos pretextos para tudo, inclusive para recomeços.

nosso amor. minha inspiração…

Acho que te amo um pouco demais para eu conseguir controlar. Sinto como se fosse algo maior que eu mesmo. Maior que meu controle.

Estou imerso em cada centímetro do seu corpo. Seu amor me faz transbordar, faz eu me sentir leve, despreocupado e feliz.
Não consigo explicar o bem que você me faz. E por favor, não vá embora nunca.

Não consigo mais lidar com a noite. E seria um desperdício ver você caminhando sozinho por aí, quando todo mundo sabe que a pessoa perfeita para você sou eu. Somos bons demais juntos para cogitar em divergir nossos rumos.

Te quero para sempre. Te quero comigo a cada instante, a cada nova descoberta e a cada momento desgastante. Te perder nunca foi uma opção. Você me faz melhor, me faz sorrir… sorte a minha por te entregar meu coração.

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De repente as coisas começam a perder o sentido. Tudo começa a ser revivido e os sentimentos ficam difíceis de serem controlados.
Estamos o tempo inteiro cercados de pessoas, mas no fundo, somos nós quem nos importamos com nós mesmos. Todos estão muito ocupados tentando sobreviver e não há ninguém que consiga embarcar nessa jornada com você.

Uma jornada só de ida, pra um lugar distante e desconhecido.

… e no fim tudo volta a acontecer. Algumas dificuldades não desaparecem e você percebe que, talvez, terá que lutar contra isso para sempre.
De algo que veio despretensiosamente à algo que se tornou seu maior inimigo, seu maior medo e sua luta diária.

No fundo estamos afogando, tentando nos salvar de nós mesmos. Sentindo um enorme vazio no peito.

Isso é tão familiar…

prelúdio

Há algum tempo venho tentando tirar isso daqui de dentro, encontrar um porto onde pousar e uma solução para que tudo, finalmente, se ajeite.
Minha forma de lidar com os problemas são bem específicas e eu tenho reações bem previsíveis.
E tenho muito o que agradecer. A vida, aos meus amigos, a ele… e, principalmente, a mim mesmo.

Há muito o que transcrever e externar por aqui, há pedaços escondidos por todos os lados, nos anos que me dediquei a deixar um pouco da minha alma nos textos que deixo por aqui. É tudo verdade, é de coração… e continuará sendo de forma mais intimista ainda.

E seja como for, tudo continuará cíclico assim como sempre foi. A vida continuará passando depressa. E cabe a nós decidirmos se o medo de ser quem somos afetará nossa passagem por aqui. Existem amores passageiros, vidas infelizes, medos nunca vencidos, frustrações carregadas para sempre, mentiras levadas por toda a vida… e a infelicidade de, um dia, ver tudo indo embora e as muralhas que construímos nos impedindo de viver a vida que sempre queríamos.

Há sim a possibilidade de deixar tudo isso partir e desapegar desses gigantes que nos impedem de transcender. Existem coisas que são atemporais. Que vão além da desolação, do agora, do medo e da vida. E eu acredito que tudo isso seria tão infeliz se eu não me permitisse viver e ser quem sou. Independendo das adversões.

O sofrimento nos muda, nos lapida, nos corrompe, nos dá força… o amor nos aprimora e nos dá coragem para arrancar nosso Eu do peito e finalmente desprender, soltar, desatar… e voar.

amar

Amar exige dispormos à mergulhar na mais profunda desolação e voarmos ao mais alto deleite. Requer coragem, propósito e desígnio. Consiste em entregar-se cegamente, sem bloqueios. É esquecer as incertezas e entregar-se à grandeza do risco dessa dualidade tão contraditória. Essa condição de cegar-se aos poréns, enfrentar a ansiedade e o horror, na esperança que o encanto mais sublime, excelso e inigualável esteja disposto ao desfrute de nosso peito.

Amar exige risco, fibra, coragem… e coração.

Amar é uma via de mão única, que consegue manter-se intacta no mais profundo exílio e nos obriga a abrir mão, porque amar também exige quebras.